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3 de mai. de 2020

Iniciação à Umbanda - Resenha de Livro



Sabem aqueles livros antigos que você do nada descobre que saiu uma edição novíssima e você não pode perder? Foi assim com o livro Iiniciação à Umbanda, de Dandara e Zeca Ligiero. 

Se trata de um volume lançado inicialmente no ano 2000, eu conhecia o autor por outro livro dele chamado Iniciação ao Candomblé, que achei muito didático e instrutivo. 

Este relançamento não possui mudanças no texto, apenas adaptação ao novo acordo ortográfico, o que é interessante porque você saberá como a obra era tal e qual, porém, também tem seus pontos negativos porque o autor pode ter estudado muito mais coisas, adquirido mais conhecimentos e acaba por não atualizar.

Enfim, a Editora Pallas está de parabéns pelo trabalho, é primoroso e luxuoso, a capa super confortável de pegar. Infelizmente identifiquei um pequeno erro na pag. 156, faltou colocar o título do tópico destinado aos preto-velhos, mas nada que desmereça, vale a pena ter na estante. 

Sobre o conteúdo do livro em si, me surpreendeu a profundidade da pesquisa bibliográfica empreendida pelo autor. A gente espera um texto simples com tópicos genéricos de introdução à religião pelo título e recebemos um conteúdo de nível acadêmico, porém, com linguagem simples e acessível. 

O livro tem esse notável mérito de apresentar uma pesquisa com muitas fontes para o leitor. Diferente da maioria dos textos introdutórios onde o autor repassa sua visão pessoal, muitas vezes recebida de forma oral e o leitor acaba com várias ideias conflitantes na cabeça após ler vários livros de tradições diferentes. 

Pesquisas de estudiosos nacionais e internacionais vão sendo apresentadas enquanto conceitos complexos são exposto e você acaba com uma visão bem clara sobre muitos elementos da religião. 

O ponto alto do livro com certeza é a exposição que o autor faz da tradição Banto/Congo para a Umbanda e as religiões afrobrasileiras em geral, tradição tão menos conhecida que a Yoruba (que nos legou os orixás da Umbanda) mas que trouxeram o estilo de trabalho, a pemba, os pontos riscados, entidades como a Bombogira, dentre tantas outras coisas que o Umbandista comum muitas vezes ignora. 

Entretanto, a meu ver, ao chamar atenção para essa ignorância quanto à tradição Congo, o autor acaba por subestimar a herança indígena da Umbanda. Ele demonstra que muitas coisas que consideramos tipicamente indígenas já estavam presentes na tradição que os negros do antigo Reino do Congo trouxeram ao Brasil. Acontece que, como nordestino que sou e adepto de Umbanda e Jurema Sagrada, a herança indígena para mim é muito marcante, bem como para muitos adeptos que tem enorme carinho por entidades de Umbanda oriundas da Jurema, como a própria Cabocla Jurema, seu Zé Pelintra, Zé Sibamba, dentre outros. 

Considerando que o autor basicamente se dispõe à expor as entranhas da Umbanda carioca, não debruçando-se sobre as tradições nordestinas, é uma falha compreensível, ou sequer é uma falha, mas acho importante chamar atenção para tal ponto porque, eventualmente, um leitor desavisado pode considerar que Umbanda não tem nada de indígena porque o intercambio de práticas espirituais entre dos nossos índios com as outras raças se deu de forma mais forte no Norte e Nordeste que nas outras regiões do país. 

Também gera um pouco de incômodo o autor chamar de "mito" a clássica história da fundação da Umbanda por parte de Zélio de Morais, cuja linha de trabalho é chamada de "Umbanda Católica". Embora como tudo mais no livro seja racionalmente explicado, a gestação deste termo "Umbanda" se deu a partir do grupo formado por Zélio, se expandindo e sendo hoje como uma grande mãe onde diversas tradições com inclinações mais católicas, mais kardecistas, mais indígenas e/ou mais africanistas se reúnem sob um mesmo manto de amor.

Embora o próprio Zélio nunca tenha se proposto a ter qualquer propriedade sobre o termo Umbanda, nem o grupo espiritual que ele deixou, que existe até hoje conduzido pela sua família, nomes tem poder, portanto acho importante ressaltar que este nome foi criado ali naquele grupo, se expandindo e denominando dezenas de outros grupos diversos de modo que hoje não podemos reduzir Umbanda  a nenhuma tradição e se considerarmos a Umbanda tal qual é praticada, é impossível dizer que alguém fundou esta UMBANDA como um todo. Entendo que é a isto que o autor se refere, portanto, não há nenhuma má intenção na forma como ele expõe. Na verdade, ele está certo, se considerarmos que ele fala dessa universalidade que hoje temos. Da mesma forma que humildemente considero estar certo, e não estou sozinho nessa, em separar o joio do trigo dando a Zélio o que é de Zélio.

É isso, excelente dica de leitura, iniciei na noite de um dia e terminei na manhã seguinte. Deveria ter na biblioteca de todo Umbandista zeloso. A bibliografia cuidadosamente destacada com máximo zelo é um espetáculo a parte e abre a mente para novos horizontes caso o leitor queira se aprofundar em algum tópico específico. Foi o meu caso, já estou lendo outro livro, bem como assisti uma palestra para esclarecer pontos que o autor levanta e aguçou demais a curiosidade.

Por fim, eu sei que são dois autores, mas escrever tudo falando apenas autor facilita demais. Obrigado, então, aos autores, Dandara e Zeca Ligiéro por este primor, bem como à editora Pallas por relançar esta importante obra e ainda ter tanto zelo nos materiais, diagramação, tudo.










1 de jul. de 2017

Deus na Umbanda: Zambi, o Incognoscível - A Origem e o Destino dos Espíritos (psicografia)


Abaixo texto psicografado acerca da visão umbandista de Deus e da natureza do espírito.

Uma das maiores dificuldades no entendimento da teologia de Umbanda para um Leigo é diferenciar Zambi dos Orixás. Em especial de Oxalá, tido como pai da criação. Dita dificuldade é por vezes relativizada em razão da analogia direta que se faz com o conceito cristão de trindade: pai, filho e espírito santo. A Umbanda porém, como religião completa, apesar de prestar tributo à tradições antigas das quais herdou vários conceitos, não precisa do conceito de santíssima trindade para complementar sua visão de Deus.
A melhor forma de deixar claro a total independência da Umbanda é deixar claro que o conceito de Deus, expresso em Zambi é completamente diferente do papel atribuído ao Pai na tradição Cristã. Segundo a Bíblia, Deus criou céus e terras, criou pessoalmente o homem, árvores e animais, tal é a visão aceita pelo cristianismo. Na visão de Deus como três pessoas distintas - pai, filho e espírito santo - é possível inferir que todas estavam presentes no momento da criação. A Bíblia relata, ainda, a convivência direta de Deus com seres humanos, através de conversas, da oitiva de preces e ainda, escrevendo através de homens especialmente inspirados, um livro sagrado.
A Umbanda, como religião universalista, entende que toda tradição religiosa possui uma função na elevação espiritual da humanidade e, como tal, jamais deprecia nenhuma prática ou crença, desde que esta tenha como foco a melhora do homem como ser e o respeito à obra divina materializada no universo. Entretanto, sua independência deve ser explanada para deixar claro a todos que o umbandista não deve coerência doutrinária aos adeptos de nenhuma outra tradição. É o que ora se propõe a fazer.
Zambi é a energia suprema, a fonte primordial, não criada, não gerada, não sujeita ao tempo, o uno, de onde todos saímos e o norte para o qual tudo vibra como a agulha de uma bússola. A melhor palavra para definir Zambi é incognoscível, que significa aquilo que não se pode conhecer. Zambi é força além de toda inteligência e compreensão humana. Apenas em nossa total realização espiritual poderemos almejar compreender um milésimo do que ele significa. É a perfeição em todos os polos e sentidos.
 Zambi não julga, não sente raiva, não se vinga, não toma partidos, não escolhe ninguém. É como o sol que brilha sobre a cabeça do justo e do injusto, a chuva que molha o rico e o pobre. Toda e qualquer criatura, dos elementais das pedras, passando por vírus, bactérias, animais, plantas, seres humanos, entidades cósmicas e Orixás, tudo está abaixo dele, inserido nele e vivendo por ele. Não é divindade tribal, nacional e nem mesmo planetária, nenhuma religião conseguiria explicar sua grandeza, nenhum livro seria capaz de conter sua essência e não há ninguém capaz de expressar sua vontade.
Oxalá é a luz de Zambi, o princípio criador que surge da fonte suprema, nossa ligação mais próxima com Deus e o caminho ao alcance de todos para chegar até ele. A luz branca de Oxalá, como um prisma, ao se manifestar na criação divide-se em diversos matizes e tons, é o amarelo de Oxum, o vermelho de Ogum, o preto de Omulu. A presença da luz só é possível revelando-se seu oposto, expresso em Exu. E para que tais forças possam ter autoconsciência, é preciso a mente, ai entra Orunmilá. Nomes de forças e energias primordiais, que em outras religiões podem receber outros nomes, sem alteração algumas em suas essências primárias.
Estas luzes divinas que a tudo permeia e que manifesta todo o universo, também é o berço criadouro das almas. Energia vibrante que surge a partir da aquisição da senciência pelos princípios elementais da natureza. Assim, a energia vibrante do metal, dos rios, dos mares, da terra, das pedras, dos ventos e etc, ascendem do reino elemental à matéria, manifestando-se nos reinos vegetais. Aprendendo a ter sensações e transformar a energia nas plantas, estes princípios adquirem os instintos animais, encarnam e reencarnam nos mais diversos animais, especialmente naqueles afins à energia primordial (orixá) que o gerou. 

Seguindo a trilhar esta senda, adquirem então estas energias a autoconsciência, despertada na encarnação humana. Mesmo como ser humano, aquele princípio continua a renascer sob a regência da luz divina que o gerou. A pequena fagulha de energia das cachoeiras, ao passar por todos os reinos até o humano, sempre será um filho de Oxum. A pequena fagulha do metal primário sempre encarnará como filho de Ogum. Desta forma, as energias da natureza - Orixás - passam a representar na personalidade e arquétipos humanos suas qualidades energéticas naturais. Surge então o Ogum Guerreiro, o Xangô da justiça, A Iemanjá mãe amorosa e etc. 

Entretanto, não basta a estes espíritos reencarnarem sob única regência do seu Orixá pai. Toda e qualquer força no universo veio de Zambi e todas vibram de volta à Zambi. Zambi é nosso destino, incognoscível e inalcançável, mas que nosso espírito nunca cessará de buscar. Oxalá é a estrada, é a perfeição espiritual personificada, o guia seguro que Zambi legou a todos. Assim, todas as luzes buscarão em si a completude desta luz branca perfeita. Para tal, precisamos reencarnar mais e mais, recebendo em diferentes vidas as vibrações de todos os Orixás, para nos tornarmos perfeitamente evoluídos em todas elas e assim nos aproximarmos de Zambi cada vez mais. Tal é a função dos Orixás de frente e adjunto (juntó). 

É um movimento obrigatório, como a limalha de ferro que ao ser exposta ao imã, sempre vibrará em sua direção até alcançá-lo. Todos vibram de volta à Zambi e mesmo os mais resistentes, cedo ou tarde, prosseguirão em sua evolução. O rio corre para o mar e todo princípio energético neste grande rio existencial corre para o mar que nos  gerou  todos.
Desta forma, se explica também a  existência de filhos de todos os orixás. Assim como para a realidade e a natureza existirem, um sistema harmônico de forças precisa estar em ação constante. A vibração dos componentes de tal sistema em direção à sua origem é igualmente necessária. 
 
Os Orixás princípios energéticos da natureza buscam sua completude na energia natureza humana, e vice-versa. Os orixás princípios da energia masculina buscam sua completude na energia feminina, e vice-versa. Os orixás que estão além do conceito de masculino e feminino, por regerem o destino, buscam sua completude na aquisição e entendimento destas forças duais. Os orixás do espírito buscam a completude com o da matéria, sendo a recíproca também verdadeira. O destino, Oxalá-Obatalá, o princípio da perfeição (não confundir com o Oxalá princípio energético da natureza, que faz par com Nanã), aquele que nos guia ao incognoscível. 

Somos todos pequenos Omulus, Oguns, Xangôs, Iemanjás, Oxuns, Oxóssis, Nanãs, Óyás, Exus e etc, na longa, eterna, única e verdadeira jornada de volta à fonte suprema, completando e reiniciando os eternos ciclos da existência.

Na paz de Deus,

Em 22/06/2016, recebido do Caboclo Ubirajara, médium: C.I. Morais .

9 de jul. de 2016

VADE MECUM INICIANTE EM MAGIA E KAOGÊNESIS - Livro para download gratuito





É com muita satisfação que venho lançar meu VADE MECUM INICIANTE EM MAGIA, guia para iniciação mágica que reúne três livros meus, Vias Ocultas, Liber PPP e o inédito Kaogênesis. Que juntos formam uma Trilogia.




Acontece que minha trilogia é meio torta, primeiro escrevi o último livro dela, depois o primeiro e agora finalmente concluí o segundo. Ele se chama Kaogênesis e é focado apenas em Magia do Caos. 

 Neste último volume para fechar com chave de ouro, contei com um belíssimo prefácio da Wanju Duli, escritora que dispensa maiores apresentações, a quem faço um profundo agradecimento público para somar aos que fiz em particular. 

Para ficar compreendido o papel de cada livro, veja o seguinte roteiro: 


VIAS OCULTAS é um livro essencial para todo iniciante. Vai abordar não só todas as dúvidas que perseguem os que adentram no mundo do ocultismo como transmitir todas as técnicas mais basilares para posterior desenvolvimento de práticas mais avançadas.


Kaogênesis apresenta a Magia do Caos, um sistema de prática altamente libertário com inúmeras possibilidades. Aqui o leitor irá aprender a sigilar e criar servidores de diversas formas práticas.

Liber PPP  traz ao leitor a chamada teoria dos protocolos, que são uma forma prática de sistematizar procedimentos magísticos e conduzir o praticante a criar magias da forma que bem entender.


Aproveitando a conclusão destes escritos, que são tão interligados que poderiam ser um livro só, resolvi revisar e corrigir os dois livros anteriores, juntar ao atual e lançar um único volume no Clube de Autores, além de fornecer as versões on line para download gratuito, como faço desde o início. 

Quem já leu o Vias Ocultas e o Liber PPP, peço que baixem essa versão do VADE MECUM INICIANTE EM MAGIA, ele é um roteiro completo dos três livros que busca conduzir o praticante da total inexperiência até a experimentação mágica mais avançada. Para você que comprou os dois volumes anteriores no Clube de Autores, lancei o Kaogênesis também separado. 





Para download gratuito:






Como tradicionalmente faço, fica também os espelhos completos de capa e contracapa dos livros no Clube de Autores. 







8 de ago. de 2013

Liber PPP - Meu Primeiro Livro de Magia do Caos (Download).


CONHEÇA O VADE MECUM INICIANTE EM MAGIA, COMPÊNDIO QUE REÚNE 3 LIVROS DE INICIAÇÃO MÁGICA PARA DOWNLOAD GRATUITO AQUI NO BLOG. 

É muito gratificante vir aqui hoje e informar o lançamento do meu primeiro livro de magia do caos. Trata do caoísmo de forma geral, com conteúdo voltado não só para iniciantes, mas também para os mais experientes que desejam ir além dos sigilos e servidores.
Ele se chama Liber PPP - Pseudolivro de Pseudomagia Pseudocaótica:


Trata de temas gerais de experimentação mágica e protocolos de magia. Quem desejar comprar uma versão impressa, disponibilizo no Clube de Autores. Optei por não receber nada de direito autoral para o livro ficar o mais barato possível.

https://www.clubedeautores.com.br/book/149430--Liber_PPP





Agradecimentos indispensáveis ao meu amigo Yuri Motta do blog www.tudosobremagiaeocultismo.blogspot.com, por todo o apoio técnico e por aturar meus mil pedidos de opiniões.

Quem desejar apresentar opiniões sobre o livro, pode deixar aqui ou mandar email para alahric@yahoo.com.br

Obrigado,

E quem desejar uma versão on line, disponibilizo gratuitamente em PDF e EPUB (livro digital) abaixo:

LIBER PPP PDF

LIBER PPP EPUB

E aqui para leitura on line:


27 de mar. de 2013

Benzimento de Mau Olhado e Quebranto


A oração seguinte é a que uso normalmente quando faço um benzimento, uso três galhos de arruda, pinhão-roxo ou outra planta disponível, molho com água e digo a oração, quando enumero os males que a pessoa está sendo benzida, posso acrescentar ou colocar algum elemento, a depender do que a pessoa esteja sentindo ou do que eu perceba no momento.



Antes de Qualquer coisa, benze-se a si próprio, fazendo o sinal da cruz com o ramo.


"FULANO (nome de quem é benzido) Deus te fez, Deus te criou, olhar de quebranto, deste mal Deus te curou.
Se for na tua gordura, ou na tua formosura, nas tuas carnes ou na tua feiúra.
Nos teus olhos, no teu cabelo, no teu comer, nas tua carnes.
Na tua saúde, na tua disposição, na tua beleza, no teu trabalho na tua inteligência.
No teu bom sentido. No teu bom pensamento.
Se for inveja, se for má vontade. Que seja saído, que seja tirado e lançado às ondas do mar sagrado. Com o poder de Deus e da Virgem Maria.

Pai nosso. Ave Maria. Glória ao Pai."

Diz-se a oração e as rezas cruzando o galho sobre o corpo da pessoa e especialmente sobre as partes que são benzidas. Após o término jogar o galho fora, ele está impregnado das energias negativas que foram retiradas da pessoa benzida.

Há muitos que falam que não se deve benzer animais. Pessoalmente, não tenho nada contra. Como tudo que há sobre a terra é criação divina, Deus não negará sua benção sobre nada que ele criou, então acho válido realizar benzimentos em qualquer coisa, pessoas, plantas, animais. Abaixo segue uma versão desse benzimento para ser usado em plantas.


"(DIZER NOME DA PLANTA) Deus foi quem te fez, Deus foi quem te Criou, Deus é quem te cura, do mal que em ti penetrou. Se for nas tuas raízes, se for no teu caule, se for nas tuas cascas, ou nas tuas folhas.
No teu fruto, nas tuas flores, na tua formosura, no teu perfume, na tua seiva. Se for inveja, se for má vontade. Que seja saído. Que seja tirado e lançado às ondas do mar sagrado. Em nome de Deus e da Virgem Maria.

Pai nosso. Ave Maria. Glória ao Pai."

O procedimento é o mesmo. Lembrando que em qualquer caso, se sentir que repetir a oração uma vez não foi suficiente, pode falar ela mais de uma vez. Algumas pessoas adotam por procedimento dizer a oração 3 vezes, outras sete. Eu uso a intuição para saber quantas vezes repetirei em cada caso.

Já usei esse benzimento das plantas em plantas que estavam secando devido a mal olhado, com a recuperação do vegetal. Lembrando que o elemento principal da reza é a fé, se rezar com fé, sempre será atendimento, principalmente se estiver rogando as energias divinas que curem uma criatura de Deus.

Sobre o objeto usado para benzer, os ramos verdes são amplamente difundidos, mas há quem use, terços, rosários, escapulários, cordões religiosos e etc. Conheci uma benzedeira que usava apenas os dedos indicador e polegar cruzados. O importante é não rezar sem criar esse anteparo para prevenir que as energias negativas retiradas da pessoa benzida afetem o benzedor.



20 de fev. de 2012

Sobre Teístas e Ateus

Acreditar ou não em Deus é uma questão meramente de fé. Portanto, teísmo e ateísmo são pólos opostos em nível equivalente. A diferença básica do teísta para o ateu é a mesma que existe entre alguém que gosta de melancia e alguém que não gosta.

    Observamos atualmente, de um lado teístas que consideram ateus seres inferiores, egoístas materialistas e amargurados com a vida, pobres coitados que não tem grandeza espiritual o suficiente para notar a presença do criador em todas as coisas. Do outro lado, temos ateus que consideram teístas pobres coitados dominados pela alienação, que precisam da crença em um ser invisível para mascarar suas fraquezas e incapacidade de enfrentar os problemas da vida por conta própria. Uns consideram os outros tolos, talvez sejam ambos igualmente dotados de tal defeito.

    Podemos dizer sem medo de errar, que a questão da existência ou não de Deus nunca terá um fim, Pelo simples fato de que ambas as hipóteses são paradoxais. Antes de continuar, é preciso ficar claro que ao falar de Deus, não me refiro ao Deus judaico-cristão nem a nenhum outro em particular, e sim a um planejador inteligente da criação, seja qual for sua forma. Primeiro, suponhamos que Deus não existe. Como ficaria então a posição de quem acredita nele? A primeira e mais obvia das conclusões a serem tiradas é a de que muitos destes jogaram uma vida inteira fora, pois se Deus não existir, para que serviram todas as guerras, conspirações e massacres feitos em seu nome? Há quem não beije antes do casamento pensando agradar a Deus com tal gesto. Quanto tempo, esforço e palavras perdidas. A inexistência de um planejador inteligente da criação como acima citado, não contraria nada que a ciência descobriu até hoje, pois não existe nenhum fato no universo que não possa ser atribuído ao simples acaso, por mais inteligente e proposital que este pareça, sempre haverá a probabilidade de ter sido obra do acaso. Assim como nenhum grande fato atribuído a Deus foi provado sem deixar margens para duvidas, seja por estarem perdidos nas malhas do tempo, seja por faltarem quaisquer outros tipos de evidencias indispensáveis.

    Analisemos agora a 2ª hipótese: Deus existe. Se deus existir, se existir um grande arquiteto do universo, uma planejador inteligente, isso também não estaria contra nenhum conhecimento dominado pela espécie humana na atualidade. A ciência não consegue explicar muitos fenômenos presentes no universo, conforme citado, todos poderiam ser obra do acaso, mas nada impede que pudessem ser também obra de uma força criadora inteligente. Não temos provas de nenhuma das duas hipóteses sobre Deus, apenas evidências e argumentos. Está claro que a idéia da existência de Deus surgiu inicialmente da ignorância do homem em não saber explicar fenômenos naturais simples como trovões e a passagem do dia para a noite e essa idéia foi evoluindo a medida que as necessidades do homem mudaram, prova disso é o sucesso de denominações evangélicas neo-pentecostais que exploram a fraqueza do homem perante os apelos materiais.

    Alguém certa vez disse que a religião de uma época é motivo de risos da época seguinte. Essa é uma verdade que podemos ver confirmada através dos tempos. Os deuses de uma época são sempre vistos como infantilidade pelos que vêm depois, assim como as necessidades, usos e costumes dessa época. Na idade média, existiam pessoas capazes de dar grandes somas em troca da salvação da sua alma, hoje, as pessoas riem disso, mas fazem coisas igualmente ridículas, como dar tudo que possuem em um templo achando que Deus irá multiplicar e dá-las novamente em recompensa.

   Voltando ao assunto principal, o fato de Deus ter surgido da ignorância do homem não exclui a idéia de sua existência. Tanto é que são raros os ateus que conseguem discutir com argumentos realmente bons a existência de Deus fora do plano religioso. E isso não é um desafio, apenas uma constatação. É muito fácil refutar a existência do Deus bíblico, porém a coisa muda de figura quando o foco é alterado para uma discussão cientifica ou filosófica. E a explicação para isso é que se Deus existir, seus atos, motivações e planos estariam simplesmente acima da compreensão humana.

    Para tornar a questão mais clara, tomemos o seguinte raciocínio. Consideremos um ateu que afirma não acreditar em Deus por que não existem provas cientificas da existência do mesmo. Para a ciência provar algo, este algo precisa ser explicado em todas as suas nuances, em outras palavras, precisa ser medido, pesado e examinado de todas as formas. Ora, se Deus existir, ele é infinitamente superior ao homem em qualquer uma das qualidades conhecidas por este. Então, se a ciência o desvendar, ele se resumirá a apenas uma força que pode ser explicada através de leis constantes, como a gravidade, deixando então de ser Deus.
    Em virtude disso, se Deus não existe, isso não pode ser provado, e se existe, também não pode ser provado. Resumindo tudo, podemos dizer que tanto o teísmo quanto o ateísmo são simples questões de fé. A ciência e a razão fornecem argumentos para ambas as correntes. Um individuo que se deixasse guiar apenas pela razão e a ciência diria ao ser perguntado se Deus existe: “não sei, não há provas para nada”. Um indivíduo guiado pela fé pode dar duas respostas, “sim” ou “não”. O que dirá sim será o teísta, o que dirá não será o ateu. Aquele que se coloca fora da esfera da fé, será o verdadeiro seguidor exclusivo da razão. Se alguém assim existir, só terá certeza de uma coisa: com relação a Deus não se pode ter certeza de nada. Por uns não poderem refutar definitivamente os outros, teístas e ateístas tendem a estar sempre a travar combates de idéias, jamais um convencendo o outro de seus pontos de vista. Por serem árvores firmadas no mesmo tipo de terreno. Uma idéia que parte de certos pressupostos e evidências, sendo solidificadas pela crença direcionada para uma ou outra corrente.