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1 de jul. de 2017

Deus na Umbanda: Zambi, o Incognoscível - A Origem e o Destino dos Espíritos (psicografia)


Abaixo texto psicografado acerca da visão umbandista de Deus e da natureza do espírito.

Uma das maiores dificuldades no entendimento da teologia de Umbanda para um Leigo é diferenciar Zambi dos Orixás. Em especial de Oxalá, tido como pai da criação. Dita dificuldade é por vezes relativizada em razão da analogia direta que se faz com o conceito cristão de trindade: pai, filho e espírito santo. A Umbanda porém, como religião completa, apesar de prestar tributo à tradições antigas das quais herdou vários conceitos, não precisa do conceito de santíssima trindade para complementar sua visão de Deus.
A melhor forma de deixar claro a total independência da Umbanda é deixar claro que o conceito de Deus, expresso em Zambi é completamente diferente do papel atribuído ao Pai na tradição Cristã. Segundo a Bíblia, Deus criou céus e terras, criou pessoalmente o homem, árvores e animais, tal é a visão aceita pelo cristianismo. Na visão de Deus como três pessoas distintas - pai, filho e espírito santo - é possível inferir que todas estavam presentes no momento da criação. A Bíblia relata, ainda, a convivência direta de Deus com seres humanos, através de conversas, da oitiva de preces e ainda, escrevendo através de homens especialmente inspirados, um livro sagrado.
A Umbanda, como religião universalista, entende que toda tradição religiosa possui uma função na elevação espiritual da humanidade e, como tal, jamais deprecia nenhuma prática ou crença, desde que esta tenha como foco a melhora do homem como ser e o respeito à obra divina materializada no universo. Entretanto, sua independência deve ser explanada para deixar claro a todos que o umbandista não deve coerência doutrinária aos adeptos de nenhuma outra tradição. É o que ora se propõe a fazer.
Zambi é a energia suprema, a fonte primordial, não criada, não gerada, não sujeita ao tempo, o uno, de onde todos saímos e o norte para o qual tudo vibra como a agulha de uma bússola. A melhor palavra para definir Zambi é incognoscível, que significa aquilo que não se pode conhecer. Zambi é força além de toda inteligência e compreensão humana. Apenas em nossa total realização espiritual poderemos almejar compreender um milésimo do que ele significa. É a perfeição em todos os polos e sentidos.
 Zambi não julga, não sente raiva, não se vinga, não toma partidos, não escolhe ninguém. É como o sol que brilha sobre a cabeça do justo e do injusto, a chuva que molha o rico e o pobre. Toda e qualquer criatura, dos elementais das pedras, passando por vírus, bactérias, animais, plantas, seres humanos, entidades cósmicas e Orixás, tudo está abaixo dele, inserido nele e vivendo por ele. Não é divindade tribal, nacional e nem mesmo planetária, nenhuma religião conseguiria explicar sua grandeza, nenhum livro seria capaz de conter sua essência e não há ninguém capaz de expressar sua vontade.
Oxalá é a luz de Zambi, o princípio criador que surge da fonte suprema, nossa ligação mais próxima com Deus e o caminho ao alcance de todos para chegar até ele. A luz branca de Oxalá, como um prisma, ao se manifestar na criação divide-se em diversos matizes e tons, é o amarelo de Oxum, o vermelho de Ogum, o preto de Omulu. A presença da luz só é possível revelando-se seu oposto, expresso em Exu. E para que tais forças possam ter autoconsciência, é preciso a mente, ai entra Orunmilá. Nomes de forças e energias primordiais, que em outras religiões podem receber outros nomes, sem alteração algumas em suas essências primárias.
Estas luzes divinas que a tudo permeia e que manifesta todo o universo, também é o berço criadouro das almas. Energia vibrante que surge a partir da aquisição da senciência pelos princípios elementais da natureza. Assim, a energia vibrante do metal, dos rios, dos mares, da terra, das pedras, dos ventos e etc, ascendem do reino elemental à matéria, manifestando-se nos reinos vegetais. Aprendendo a ter sensações e transformar a energia nas plantas, estes princípios adquirem os instintos animais, encarnam e reencarnam nos mais diversos animais, especialmente naqueles afins à energia primordial (orixá) que o gerou. 

Seguindo a trilhar esta senda, adquirem então estas energias a autoconsciência, despertada na encarnação humana. Mesmo como ser humano, aquele princípio continua a renascer sob a regência da luz divina que o gerou. A pequena fagulha de energia das cachoeiras, ao passar por todos os reinos até o humano, sempre será um filho de Oxum. A pequena fagulha do metal primário sempre encarnará como filho de Ogum. Desta forma, as energias da natureza - Orixás - passam a representar na personalidade e arquétipos humanos suas qualidades energéticas naturais. Surge então o Ogum Guerreiro, o Xangô da justiça, A Iemanjá mãe amorosa e etc. 

Entretanto, não basta a estes espíritos reencarnarem sob única regência do seu Orixá pai. Toda e qualquer força no universo veio de Zambi e todas vibram de volta à Zambi. Zambi é nosso destino, incognoscível e inalcançável, mas que nosso espírito nunca cessará de buscar. Oxalá é a estrada, é a perfeição espiritual personificada, o guia seguro que Zambi legou a todos. Assim, todas as luzes buscarão em si a completude desta luz branca perfeita. Para tal, precisamos reencarnar mais e mais, recebendo em diferentes vidas as vibrações de todos os Orixás, para nos tornarmos perfeitamente evoluídos em todas elas e assim nos aproximarmos de Zambi cada vez mais. Tal é a função dos Orixás de frente e adjunto (juntó). 

É um movimento obrigatório, como a limalha de ferro que ao ser exposta ao imã, sempre vibrará em sua direção até alcançá-lo. Todos vibram de volta à Zambi e mesmo os mais resistentes, cedo ou tarde, prosseguirão em sua evolução. O rio corre para o mar e todo princípio energético neste grande rio existencial corre para o mar que nos  gerou  todos.
Desta forma, se explica também a  existência de filhos de todos os orixás. Assim como para a realidade e a natureza existirem, um sistema harmônico de forças precisa estar em ação constante. A vibração dos componentes de tal sistema em direção à sua origem é igualmente necessária. 
 
Os Orixás princípios energéticos da natureza buscam sua completude na energia natureza humana, e vice-versa. Os orixás princípios da energia masculina buscam sua completude na energia feminina, e vice-versa. Os orixás que estão além do conceito de masculino e feminino, por regerem o destino, buscam sua completude na aquisição e entendimento destas forças duais. Os orixás do espírito buscam a completude com o da matéria, sendo a recíproca também verdadeira. O destino, Oxalá-Obatalá, o princípio da perfeição (não confundir com o Oxalá princípio energético da natureza, que faz par com Nanã), aquele que nos guia ao incognoscível. 

Somos todos pequenos Omulus, Oguns, Xangôs, Iemanjás, Oxuns, Oxóssis, Nanãs, Óyás, Exus e etc, na longa, eterna, única e verdadeira jornada de volta à fonte suprema, completando e reiniciando os eternos ciclos da existência.

Na paz de Deus,

Em 22/06/2016, recebido do Caboclo Ubirajara, médium: C.I. Morais .

26 de out. de 2015

Umbanda para não Umbandistas - Livro Gratuito




A ideia para este livro surgiu a partir das dúvidas que iam se repetindo entre as pessoas que vinham a conhecer a Umbanda nas sessões de estudo e de prática do Instituto Cultural Taba de Oxalá, um círculo pequeno mas focado em muito estudo e desenvolvimento.

Muitas coisas eram esclarecidas pelas próprias entidades, outras, por quem tinha um pouco mais de estudo que os demais. Considerando que muita gente se sente atraída pela Umbanda, porém, poucos sabem reconhecê-la em sua totalidade, diferenciando-a de outras práticas e doutrinas. Organizei este trabalho contando com a ajuda de muitos, apesar de tão singelo e pequeno o livro, as dúvidas de várias pessoas foram essenciais e a colaboração dos conhecimentos não só dos membros e médiuns, mas principalmente de todas as entidades, nossos grandes professores espirituais.

O livro é esquematizado em duas partes:

1. Perguntas e respostas: São mais de 50 perguntas colhidas entre aquelas mais comuns entre leigos e iniciantes - o que é Umbanda - Quais as Linhas da Umbanda - Porque o consumo de bebida - O conceito umbandista de céu e inferno.

2. Pequeno dicionário umbandista: Onde um breve conjunto de termos é apresentado com o intuído de proporcionar um melhor entendimento para quem inicia do jargão utilizado nos trabalhos.


Esperamos que sirva este livro para tirar dúvidas e limpar preconceitos.

Axé a todos.

Compre a versão impressa aqui: https://www.clubedeautores.com.br/book/196810--Umbanda_para_nao_Umbandistas#.Vi699PmrTIU

Download gratuito do livro. 

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20 de fev. de 2012

Sobre Teístas e Ateus

Acreditar ou não em Deus é uma questão meramente de fé. Portanto, teísmo e ateísmo são pólos opostos em nível equivalente. A diferença básica do teísta para o ateu é a mesma que existe entre alguém que gosta de melancia e alguém que não gosta.

    Observamos atualmente, de um lado teístas que consideram ateus seres inferiores, egoístas materialistas e amargurados com a vida, pobres coitados que não tem grandeza espiritual o suficiente para notar a presença do criador em todas as coisas. Do outro lado, temos ateus que consideram teístas pobres coitados dominados pela alienação, que precisam da crença em um ser invisível para mascarar suas fraquezas e incapacidade de enfrentar os problemas da vida por conta própria. Uns consideram os outros tolos, talvez sejam ambos igualmente dotados de tal defeito.

    Podemos dizer sem medo de errar, que a questão da existência ou não de Deus nunca terá um fim, Pelo simples fato de que ambas as hipóteses são paradoxais. Antes de continuar, é preciso ficar claro que ao falar de Deus, não me refiro ao Deus judaico-cristão nem a nenhum outro em particular, e sim a um planejador inteligente da criação, seja qual for sua forma. Primeiro, suponhamos que Deus não existe. Como ficaria então a posição de quem acredita nele? A primeira e mais obvia das conclusões a serem tiradas é a de que muitos destes jogaram uma vida inteira fora, pois se Deus não existir, para que serviram todas as guerras, conspirações e massacres feitos em seu nome? Há quem não beije antes do casamento pensando agradar a Deus com tal gesto. Quanto tempo, esforço e palavras perdidas. A inexistência de um planejador inteligente da criação como acima citado, não contraria nada que a ciência descobriu até hoje, pois não existe nenhum fato no universo que não possa ser atribuído ao simples acaso, por mais inteligente e proposital que este pareça, sempre haverá a probabilidade de ter sido obra do acaso. Assim como nenhum grande fato atribuído a Deus foi provado sem deixar margens para duvidas, seja por estarem perdidos nas malhas do tempo, seja por faltarem quaisquer outros tipos de evidencias indispensáveis.

    Analisemos agora a 2ª hipótese: Deus existe. Se deus existir, se existir um grande arquiteto do universo, uma planejador inteligente, isso também não estaria contra nenhum conhecimento dominado pela espécie humana na atualidade. A ciência não consegue explicar muitos fenômenos presentes no universo, conforme citado, todos poderiam ser obra do acaso, mas nada impede que pudessem ser também obra de uma força criadora inteligente. Não temos provas de nenhuma das duas hipóteses sobre Deus, apenas evidências e argumentos. Está claro que a idéia da existência de Deus surgiu inicialmente da ignorância do homem em não saber explicar fenômenos naturais simples como trovões e a passagem do dia para a noite e essa idéia foi evoluindo a medida que as necessidades do homem mudaram, prova disso é o sucesso de denominações evangélicas neo-pentecostais que exploram a fraqueza do homem perante os apelos materiais.

    Alguém certa vez disse que a religião de uma época é motivo de risos da época seguinte. Essa é uma verdade que podemos ver confirmada através dos tempos. Os deuses de uma época são sempre vistos como infantilidade pelos que vêm depois, assim como as necessidades, usos e costumes dessa época. Na idade média, existiam pessoas capazes de dar grandes somas em troca da salvação da sua alma, hoje, as pessoas riem disso, mas fazem coisas igualmente ridículas, como dar tudo que possuem em um templo achando que Deus irá multiplicar e dá-las novamente em recompensa.

   Voltando ao assunto principal, o fato de Deus ter surgido da ignorância do homem não exclui a idéia de sua existência. Tanto é que são raros os ateus que conseguem discutir com argumentos realmente bons a existência de Deus fora do plano religioso. E isso não é um desafio, apenas uma constatação. É muito fácil refutar a existência do Deus bíblico, porém a coisa muda de figura quando o foco é alterado para uma discussão cientifica ou filosófica. E a explicação para isso é que se Deus existir, seus atos, motivações e planos estariam simplesmente acima da compreensão humana.

    Para tornar a questão mais clara, tomemos o seguinte raciocínio. Consideremos um ateu que afirma não acreditar em Deus por que não existem provas cientificas da existência do mesmo. Para a ciência provar algo, este algo precisa ser explicado em todas as suas nuances, em outras palavras, precisa ser medido, pesado e examinado de todas as formas. Ora, se Deus existir, ele é infinitamente superior ao homem em qualquer uma das qualidades conhecidas por este. Então, se a ciência o desvendar, ele se resumirá a apenas uma força que pode ser explicada através de leis constantes, como a gravidade, deixando então de ser Deus.
    Em virtude disso, se Deus não existe, isso não pode ser provado, e se existe, também não pode ser provado. Resumindo tudo, podemos dizer que tanto o teísmo quanto o ateísmo são simples questões de fé. A ciência e a razão fornecem argumentos para ambas as correntes. Um individuo que se deixasse guiar apenas pela razão e a ciência diria ao ser perguntado se Deus existe: “não sei, não há provas para nada”. Um indivíduo guiado pela fé pode dar duas respostas, “sim” ou “não”. O que dirá sim será o teísta, o que dirá não será o ateu. Aquele que se coloca fora da esfera da fé, será o verdadeiro seguidor exclusivo da razão. Se alguém assim existir, só terá certeza de uma coisa: com relação a Deus não se pode ter certeza de nada. Por uns não poderem refutar definitivamente os outros, teístas e ateístas tendem a estar sempre a travar combates de idéias, jamais um convencendo o outro de seus pontos de vista. Por serem árvores firmadas no mesmo tipo de terreno. Uma idéia que parte de certos pressupostos e evidências, sendo solidificadas pela crença direcionada para uma ou outra corrente.