29 de jul. de 2013

Resenha do Livro Agracamalas, de Wanju Duli


Antes de começar a Resenha, devo dizer que já conhecia os trabalhos de Wanju no campo da magia do caos há mais de um ano. Esse livro de magia do caos estava prometido há um bom tempo e era muito esperado por quem conhecia o trabalho dela, seja no campo ocultista, seja na literatura em si.

Em virtude da recente aquisição do meu leitor de livros digitais Kobo Glo, resolvi adquirir o formato em e-book. Uma pena que o clube de autores não lance os livros em formatos epub ou mobi (formato de livros digitais) e sim em pdf, um formato utilizado para textos mas que não é configurado especialmente para leitura em formato digital. Fica a dica, ler um livro digital em epub é infinitamente mais agradável do que ler em pdf. Mas isso é uma crítica à editora e não à autora ou sua obra. Então sigamos em frente.

Agracamalas
Como toda obra da Wanju, o livro enche os olhos pela capa bem elaborada e super sugestiva, assim como pelo texto bem humorado que cativa o leitor nas primeiras linhas. A partir daí o texto segue um roteiro bem típico de outras obras como Grimório dos Gênios, ou seja, uma verdadeira montanha russa que ora está fazendo uma piada divertida, ora está descrevendo uma cena super pesada psicologicamente e logo em seguida começa a dissertar sobre a natureza do universo com uma profundidade filosófica espantosa para quem sabe fazer piadas.


Wanju é uma autora que assusta, e quem conhece outros escritos dela sabe bem do que falo. A facilidade que ela tem de pular de um assunto para outro e de um clima narrativo para outro dentro de um mesmo parágrafo está além da habilidade literária, é um verdadeiro malabarismo de ideias. Imagine alguém fazendo malabarismo com laranjas, imagine agora que cada laranja representa uma ideia bem diferente da outra. Agora imagine que quem está jogando as laranjas e rodando-as no ar é uma garota com uma meia rosa e a outra violeta, vestida com uma saia quadriculada e uma camisa de babados. Pronto, você já tem uma ideia do que irá encontrar lendo os textos da autora.

Agora falando do Agracamalas em si. O livro é uma apanhado de magias instrospectivas destino a resolver não os problemas do universo nem fazer ninguém ficar rico, mas levar o leitor a um nível diferente da magia que muitos ignoram: a parte do autoconhecimento. Quando falamos de autoconhecimento em magia, principalmente magia do caos, todos concordam que é uma coisa muito importante, mas no fundo, ninguém procura melhorar em tal ponto. As pessoas estão muito preocupadas criando seus exército de servidores para dominar o mundo e esquece de limpar o seu quintal. O Agracamalas passa mais ou menos essa mensagem: quer se tornar o super ultra mega bláster mago fodão? Lave o seu prato depois de comer.

Enfim, antes de praticar qualquer técnicas do livro, seria recomendável ao leitor entender um pouco de meditação, projeção mental, estados alterados de consciência e etc. Como isso são coisas comuns a todo ocultista, certamente que será difícil alguém se sentir incapaz de dar alguma utilidade ao livro.

A grande falha que tenho a apontar é apenas no subtítulo, pois o mesmo fala ser um “tratado de magia do caos”, possivelmente isso foi uma piada interna da autora, pois quem conhece o estilo de escrita dela, uma espécie de magia libertária (talvez “tratado de magia libertária” tivesse sido um subtítulo mais apropriado, inclusive), sabe que ela não é do tipo que acredita em tratados de magia, e muito menos do tipo que se proporia a escrever um tratado. Ora, tratado é um apanhado acadêmico que tem como objetivo reunir todo o conhecimento básico sobre um assunto. Como alguém que procura uma magia livre de qualquer tipo de amarra pode querer escrever um tratado?
Então se você é iniciante ou mesmo já rodado no caminho e se encantou com o subtítulo do livro, desista. Você não vai encontrar nas páginas do Agracamalas um guia passo a passo para se tornar um magista do caos. Provavelmente se ler o livro em busca disso você só ficará muito confuso. Eu ousaria dizer que o estilo da Wanju nem mesmo é magia do Caos, e sim uma espécie de magia libertária, um chamado para deixar sua mente voar sem limites não para resolver todos os seus problemas, mas para que você aprenda a enxergar que nenhum problema é real, que nenhum problema realmente importa.

Feita tal ressalta, é possível fazer excelentes exercícios de introspecção com o Agracamalas, exercitando esse lado da magia tão necessário e que tantos deixam de lado. Se você é iniciante, não considere esse um livro para aprender magia do zero, no máximo você achará a leitura divertida e pode ter algum efeito usando uma ou outra técnica. Se você é experiente, entenda um livro como um chamado para deixar um pouco de lado toda a técnica e formalismo que conhece na magia e viajar um pouco na sua própria mente, sem correias e amarras. Se você já faz isso por conta própria, talvez considere que o livro não te serviu para nada, mas talvez o objetivo da autora fosse exatamente que seu livro não fosse necessário e todo mundo já soubesse mergulhar na própria mente por conta própria, erguendo suas próprias cidades sucintas para tomar um café no fim da tarde enquanto desenha labirintos em guardanapos.

No mais, parabéns à Autora, só quem escreve um livro sabe o esforço que isto envolve.

6 de jul. de 2013

A Iniciação na Magia e no Ocultismo




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A maior dúvida que nasce no coração daqueles que se interessam pelas ciências ocultas é: como afinal vou aprender esse troço de magia?

Você assiste filmes, lê livros, vê relatos na internet de pessoas que realizam curas, fazem viagem astral, criam servidores, elaboram sigilos e rituais e fica olhando de fora como se aquele fosse um mundo secreto onde seria necessário um convite iniciático para que se possa fazer parte.

A boa notícia é que não é necessário ser escolhido por uma ordem misteriosa secreta de origens perdidas no primórdios do tempo nem ser aceito por um super mestre senhor de todos os elementos para aprender magia. A má notícia é que até que se aperceba disso, você pode sofrer duros prejuízos.

E porque você faria isso jovem gafanhoto se eu estou aqui dizendo que tais iniciações não são necessárias? Simples, porque para cada voz chamando você à razão, existem dezenas de super mestres do universo em busca de discípulos, oferecendo a aquisição instantânea de poderes em troca de sexo, dinheiro ou talvez apenas da sua dedicada veneração. Explicando minha aparente visão pessimista, por considerar que você irá cometer vários erros antes de acertar, me proponho a dar uma definição do que seja o despertar mágico, o que significa ser um iniciado.

O iniciado ou desperto é aquele que possui um conhecimento/habilidade que coloca em um nível de realidade diferente das demais pessoas. Vejamos o caso de um médico, ao estudar medicina, você passa a ser portador de um conhecimento que o coloca em um nível de realidade diferente, porque você estuda os mecanismos de ação e reação do corpo humano. Onde as pessoas normais veem uma mancha na pele, você vê derme, epiderme, hipoderme, possivelmente contaminadas com algum fungo, bactéria ou tumor. O médico então é um iniciado se usarmos esse termo em sentido amplo. Porém, o objeto desse escrito não é tal sentido amplo e sim o sentido estrito de iniciação em relação à magia. E iniciação para a magia se destina a quebrar os paradigmas de realidade seguido pela grande massa da humanidade.

Atualmente nossos paradigmas de realidade são definidos pela ciência tradicional de orientação cartesiana. Tudo que não se encaixa nos objetos de estudo da ciência está fora desses paradigmas. Então se você estuda movimentos físicos, reações químicas e interações biológicas, você não é um iniciado mágico. Quer dizer então que assim que eu pegar um livro sobre sigilos, servidores, viagem astral ou realização de feitiços eu automaticamente me torno um iniciado? Hum, não, muito longe disso. Ao ler tais livros você se torna um estudante de ocultismo. Ser um iniciado exige um pouquinho mais.

A iniciação é um processo de despertar interno, é o momento em que sua mente aceita em toda plenitude a existência de uma determinada ciência oculta. Exemplifico, você está caminhando no parque, sente uma rajada de vento e nota que nesta rajada há uma energia, você já estudou interação energética, então para, sente a energia, estende a palma das mãos e mentaliza que está absorvendo, sente esta energia do vento entrar pelos seus chacras e percorrer o seu corpo. Naquele momento, sua mente aceita em toda plenitude que há energias que nos rodeiam e que você pode interagir com elas, você acabou de despertar.

Então qual a função das iniciações em ordens ou iniciações realizadas por outro iniciado?
Elas tem diversas funções, dentre elas não está tornar você miraculosamente apto a sair por ai manipulando forças ancestrais.
Em uma ordem a iniciação tem dentro outras a função de lhe dar uma identidade dentro do grupo. É como fazer seu RG, é um rito de passagem, o momento que marca a sua transição entre uma pessoa comum e um membro da referida ordem. Também pode simbolizar o fim de um ciclo de estudo e evolução para um novo, as chamadas passagens de grau.

Quando falamos da relação de um iniciado com um não iniciado, é uma questão mais polêmica, se estamos falando em iniciado em práticas mágicas, ele deve saber que não é colocando uma espada no ombro de alguém e proferindo palavras que esta pessoa irá adquirir seus mesmos poderes e habilidades, então desconsiderando tal hipótese, poderíamos dizer que alguns iniciados podem utilizar rituais de iniciação com o fim de estimular a mente do outro ao despertar, eu mesmo já me utilizei disso e conheço outros casos. Existem rituais de iniciação destinados também a apresentar alguém a uma entidade ou grupo oculto, não necessariamente uma ordem.

Enfim, o objetivo deste texto é explicar que iniciações podem ter muitas funções, mas a iniciação mágica, aquele despertar para a magia que te faz deixar de ser um alienado e te torna um magista é um processo interno, íntimo e que você pode ter ajuda para chegar a ele de uma ordem, de um livro, de outro magista, mas você e somente você experimentará o momento e apenas você é o responsável último por ele.